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Roberto Freire: tesão e anarquia
A emergência da função autor , no século XIX, como salientou Michel Foucault, caracterizava-se pelo investimento em organizar, filiar e homogeinizar a dispersão dos discursos oriunda dos séculos anteriores. A assinatura do autor irrompia como existência que possuía um status distinto daqueles que u...
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| Main Authors: | , |
|---|---|
| Formato: | Dissertation |
| Idioma: | Portuguese |
| Publicado em: |
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
2011
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| Assuntos: | |
| Acesso em linha: | https://tede2.pucsp.br/handle/handle/3319 |
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| Resumo: | A emergência da função autor , no século XIX, como salientou Michel
Foucault, caracterizava-se pelo investimento em organizar, filiar e
homogeinizar a dispersão dos discursos oriunda dos séculos anteriores. A
assinatura do autor irrompia como existência que possuía um status distinto
daqueles que utilizavam a palavra ordinariamente, ao mesmo tempo, em que
era identificada como um possível perigo a ser combatido. Seguindo as
sugestões de Foucault, observei a escrita de Roberto Freire visando não explicar
mas acompanhá-la em seu movimento, articulando-a às experiências da vida de
Freire, desde a liberação no porão do DOPS, em 1965, um ano após o golpe
militar de 1964, até a publicação de seus últimos escritos no final do século XX.
A escritura de Freire atualiza o exercício da literatura social empreendida por
certos libertários do início do século XX, no Brasil. Entretanto, seus livros não
são animados pela reflexão dos anarquistas considerados clássicos, mas pelas
práticas que irromperam com as contestações, sobretudo as ligadas aos
costumes, detonadas pelos acontecimentos de 1968. Afastando-se ao longo da
vida dos projetos de revolução, Freire passou a valorizar a partir da década de
1970, em seus livros e na vida, certas experiências com o corpo, no presente,
associando-as a uma sensualização anarquista da existência. A análise do
percurso traçado por ele desde a década de 1960, quando ainda militava na
Ação Popular, passando pela descoberta do Living Theater, Wilhem Reich e
afirmação do anarquismo nas décadas de 1980 e 1990, foram possíveis
precisamente por um afastamento da noção de autor. A escrita de Freire se
desenhou em movimento. Portanto, não há como lhe impor uma unidade, um
travão explicativo. Freire navegou, junto com sua literatura, durante a segunda
metade do século XX, perigosamente. A navegação, segundo Michel Foucault,
era metáfora privilegiada para aqueles que se ocupavam com a vida ética e
esteticamente na antiguidade helenística e romana. Afirmando essa navegação,
a existência, ele deslizou como um piloto libertário, um pirata anarquista |
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